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Tela (mesh) na hérnia inguinal: por que é usada

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    Dr. Luiz Segundo
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Tela (mesh) na hérnia inguinal: por que é usada

A tela na cirurgia de hérnia inguinal representa uma das maiores evoluções no tratamento dessa condição. Sua utilização revolucionou os resultados cirúrgicos, reduzindo recidivas e complicações que antes eram mais frequentes. Mas por que a tela é empregada nesses procedimentos? Quais são os tipos disponíveis e por que o uso do material é considerado o padrão-ouro atualmente? Entenda a seguir.

O que é a hérnia inguinal?

A hérnia inguinal ocorre quando uma porção de tecido – geralmente parte do intestino – protrai através de uma área enfraquecida na parede abdominal, na região da virilha. Clinicamente, manifesta-se como uma saliência que pode causar desconforto, dor e, em casos mais graves, risco de estrangulamento do conteúdo herniado.

Por que utilizar tela na cirurgia de hérnia inguinal?

Historicamente, a cirurgia de hérnia inguinal era realizada apenas com a aproximação e sutura dos tecidos naturais (técnicas “sem tela”, como Bassini ou Shouldice). Porém, essas técnicas tradicionais apresentavam taxas de recidiva relativamente elevadas, especialmente em casos de hérnias grandes ou em tecidos frágeis.

O uso da tela na cirurgia de hérnia inguinal foi introduzido para reforçar a parede abdominal, proporcionando maior resistência ao local operado. A tela atua como uma prótese, substituindo ou reforçando os tecidos deficientes e promovendo uma cicatrização mais robusta. Estudos populacionais e revisões sistemáticas sugerem que a utilização da tela pode reduzir as taxas de recidiva para menos de 2-5%, quando comparada às técnicas convencionais, que podem chegar a 15% ou mais de recidiva ao longo dos anos.

Além disso, a cirurgia com tela geralmente resulta em menos tensão nos tecidos, o que diminui a dor pós-operatória e favorece uma recuperação mais rápida.

Tipos de tela disponíveis

Existem vários tipos de telas empregadas na cirurgia de hérnia inguinal, diferenciando-se principalmente pelo material e estrutura:

  • Tela de polipropileno: É a mais utilizada, composta por fibras sintéticas não absorvíveis, com excelente integração ao tecido humano.

  • Telas absorvíveis ou parcialmente absorvíveis: Feitas de materiais que degradam gradualmente no organismo, são indicadas em situações específicas.

  • Telas de poliéster e PTFE (politetrafluoretileno): Alternativas que podem ser escolhidas dependendo do caso clínico ou da preferência do cirurgião.

  • Telas anatômicas ou tridimensionais: Moldam-se melhor à anatomia da região inguinal, podendo facilitar a cirurgia laparoscópica.

O tipo de tela é escolhido de modo individualizado, levando em consideração fatores como tamanho da hérnia, características do paciente, método cirúrgico (aberta ou laparoscópica) e eventuais alergias ou contraindicações.

Padrão-ouro no tratamento

A técnica com tela é atualmente considerada o padrão-ouro na cirurgia de hérnia inguinal. Tanto em procedimentos abertos (como a técnica de Lichtenstein) quanto nas abordagens minimamente invasivas (laparoscópica ou robótica), a tela tem papel central na reconstrução da parede abdominal.

Diversas sociedades internacionais de cirurgia recomendam o uso de tela para a maioria dos pacientes adultos com hérnia inguinal, salvo algumas exceções, como alergia comprovada ao material ou infecção ativa no local da cirurgia.

Riscos e complicações

Embora o uso da tela tenha diversas vantagens, existem riscos associados, como rejeição, infecção, dor crônica ou migração da prótese. No entanto, tais complicações são relativamente raras quando a cirurgia é realizada por equipe experiente e com técnica adequada.

Considerações finais

A tela na cirurgia de hérnia inguinal é utilizada por sua eficácia na redução de recidivas e melhora dos resultados pós-operatórios. O avanço dos materiais e técnicas continua aprimorando a segurança e o conforto dos pacientes. Conversar com o cirurgião e esclarecer dúvidas sobre o tipo de tela a ser utilizada é fundamental para o sucesso do tratamento.

*Este artigo se baseia em consenso médico e conhecimento geral disponível até 2024. Para informações personalizadas, consulte sempre um cirurgião especializado em hérnias.*

Dr. Luiz Segundo — MÉDICO — CRM-ES 13398 | RQE 14Se096. Conteúdo educativo; não substitui consulta. A indicação de técnica e conduta depende de avaliação individual.

 
 
 

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